Lucros dos quatro maiores bancos privados subiram perto de 30% no ano passado
O ano de 2003 marca sem dúvida uma diferença face a 2002. Todos os bancos que apresentaram resultados, de entre as principais instituições nacionais, conseguiram uma melhoria nos lucros, atingindo uma subida global de 29,9% face a 2002, chegando aos 1.092 milhões de Euros (Me).
O Millennium BCP foi o principal responsável, com uma subida de 60,5%. O BES, o BPI e o Totta apresentaram uma subida nos lucros de 14,4%, 17% e 15,1%, respectivamente.
O banco de Jardim Gonçalves pagou 7,1% de IRC contra 14% em 2002
Segundo analistas isto deve- se essencialmente a activos fiscais diferidos resultantes de prejuízos passados no Bank Millennium na Polónia e também devido às operações recentes da Turquia e na Grécia.
Por outro lado o BES, ao contrário dos outros bancos pagou mais IRC em 2003 face ao ano anterior. A taxa paga passou de 13,1% em 2002 para 16,1% em 2003.
O BPI desceu 10 pontos percentuais a taxa de IRC entre 2002 e 2003.
A eficiência fiscal dos bancos tem justificado a baixa taxa de imposto paga. As provisões obrigatórias são consideradas custo fiscal. Bem como as variações patrimoniais negativas nas contribuições extraordinárias para o fundo de pensões. Há ainda os benefícios fiscais nos rendimentos em participações financeiras: acções compradas em privatizações, títulos de dívida pública e lucros em off-shore.
Por estes números vê-se que a crise passou ao lado da banca.
Perante este números, podem colocar-se algumas questões:
Em tempo de vacas magras, como se explica esta subida nos lucros?
Em tempo de recessão, tanto a nível particular como empresarial, com os mercados financeiros em baixa, como justificar esta subida notável nos lucros? Reestruturações? Eficiência?
Com esta subida nos lucros, é razoável esta descida acentuada no IRC?
Mesmo com uma eficiente gestão fiscal, outras empresas fora da orbita bancária conseguiriam os mesmo resultados?
Terá a banca privilégios dentro do universo empresarial português? Se tem, justifica-se?
É justo que, para uma taxa nominal de IRC de 33%, se chegue a 7.1%, tendo apresentado tantos lucros?
É esta a necessária competitividade que tanto se fala por aí?
Publicado por vmar em fevereiro 13, 2004 05:32 PMClaro que aqueles bancos que embora tendo aumentado chorudamente os seus lucros em 2003, face ao ano de 2002, acabaram por liquidar menos
imposto pois também sabem como se faz com o recurso às tais engenharias financeiras em que se lançam para fintar o fisco.
Só estes miseráveis lucros? Epá, coitadinhos dos banqueiros. Estão aqui estão no desemprego.
Um abração do
Zecatelhado
Estes nunca precisam de esperar por D.Sebastião.
Com nevoeiro ou sem ele, a sua (deles) retoma, está retomada.
Os bancos também não gostam da supressão do sigilo bancário...
Um abraço,
Francisco Nunes
Os bancos também não gostam da supressão do sigilo bancário...Diz o Francisco e muito bem, pois a coberto do sigilo realizam-se muitas "operacções"...
Afixado por: vmar em fevereiro 15, 2004 03:38 PM